Caros leitores,
Foi no dia 12 de Fevereiro que se realizou uma reunião in-loco com a empresa mais antiga de arqueologia em Portugal, a Arqueohoje (veja em www.arqueohoje.com), no sentido de melhor compreender e valorizar o nosso património, que é hoje uma herança cultural muito forte para todos os forninhenses.
Neste sentido, lá fomos montes acima para verificar no local tudo o que nos esperava. Começamos pelas Dornas, que segundo o responsável pela empresa Pedro Sobral, deve-se claramente à acção da natureza e considerou tratar-se de uma paisagem de encantar. As águas correm com muita força nesta altura do ano, o que não possibilita a uma descida até à gruta.
Depois fomos seguindo ao Castelo, que o Pedro depressa referiu ainda longe, assim que lhe disse que chamavamos aquele monte de Castelo, que teria de haver vestigios de ocupação, devido à sua posição estratégica em relação à região envolvente. De referir que fomos acompanhados por um filho da terra que mora em Viseu, António Monteiro (filho de José Monteiro que morou na Matela), e cujo filho é também colaborador da Arqueohoje. Assim que chegamos ao largo junto ao marco geodésico, e devido ao movimento de terras com a abertura do caminho foi possivel ver uma quantidade enorme de vestigios de cerâmica feita à mão, que Pedro Sobral acha pertencer à Idade do Bronze. Também são visiveis restos de muralha da época. Esta descoberta a que facilmente se chegou, leva a pensar que antes do castro e da sua aldeia, o homem escolheu o Castelo como ponto estratégico, normalmente usado para vigia e defesa. Isto é muito importante para os forninhenses, pois podemos e devemos ficar felizes em acrescentar mais um local de interesse arqueológico anterior a todos os outros.
Seguidamente fomos avançando até S. Pedro, onde visitamos o antigo cemitério, local onde se encontrava a capela, a antiga aldeia, Cadeira da Rainha, Lapa do Negro e o Castro de S. Pedro. Embora já tivesse estado antes no local, Pedro Sobral achou muito interessante tudo o que envolveu a actividade desta aldeia, pois segundo ele, na Idade do Bronze, a ocupação fazia-se no Castelo, passou depois para S. Pedro e posteriormente terá vindo pelo vale abaixo até Forninhos. Isto é, claro que são conclusões gerais e superficiais, mas com a experiência que tem permite de certa forma tirar. O que acha que teria muito interesse, era descobrir-se como se abandonou uma aldeia daquela dimensão no tempo, isto é, porque deixou de haver vida nesta aldeia e quando. Ele refere que se trata de um povoado medieval e o próprio castro também parece ser medieval, embora apresente algumas construções mais antigas junto ao castro. Apenas uma melhor observação e escavações permitiriam tirar mais conclusões. Ali funcionou uma aldeia e o normal era hoje existir lá uma construída por cima da mesma. Em relação à cadeira da rainha, referiu tratar-se de erosão provocada pelos tempos, mas que devemos preservar como lenda e tradição, pois confere ao lugar alguma mística e mistério. Referiu também que o castro poderia em tempos ter tido um torreão ou torre de vigia pois parece que junto à porta de entrada, esse torreão possa ter existido.
Isto foi de uma forma resumida, e tratando-se de uma conversa superficial, aquilo que foi referido. Pedro Sobral referiu ainda, que perto daquele local existem também vestígios romanos, mas o tempo não permitiu encontrá-los. Estes vestigios encontram-se entre S. Pedro e o parque de merendas dos Valagotes.
A JF terá todo o interesse em valorizar o nosso património e para isso irá tentar dentro das nossas limitações desenvolver acções para esse efeito. Fica a satisfação enorme de podermos afirmar que afinal o nosso património em Forninhos e a nossa história pode vir a ser acrescentada ao longo dos tempos. Devemos valorizar o que nos distingue e as nossas raizes.
Saudosos cumprimentos,
Ricardo Guerra